Amazonia Viva Santarém

5/31/2006

Estudantes do Mato Grosso são contra o Agronegócio

Na carta que segue, estudantes de Tangará da Serra, Mato Grosso, manifestam sua opinião contrária ao modelo do agronegócio. Um exemplo claro que não é somente a nossa região que sofre com os prejuízos socio-ambientais causados pela soja, e portanto, não somos somente nós da Amazônia que defendemos um desenvolvimento sustentável.

Também reflete que não podemos simplesmente generalizar de forma preconceituosa que a frente de ocupação predatória na Amazônia é comandada por gente do Mato Grosso e outros estados, pois lá também temos cidadãos e cidadãs que estão lutando contra o mesmo modelo que pretende se estabelecer aqui.

Leia o texto:

Opinião pública tenta ser manipulada no estado de Mato Grosso com falsas notícias de apoio a movimento do agronegócios.

Carta aberta à sociedade de Mato Grosso

Nós Estudantes da Universidade do Estado de Mato Grosso - UNEMAT, CampusUniversitário de Tangará da Serra organizados como Diretório Central dosEstudantes Dom Pedro Casaldàliga, entidade representativa dos estudantesdeste Campus, aprovamos em Assembléia Geral dos Estudantes realizada no dia29 de maio de 2006 que:

Repudiamos as informações vinculadas por mais de dois dias nos meios decomunicação local e estadual, repassando que a universidade - UNEMAT, estavaparalisada por dois dias apoiando o movimento do agronegócio, e nada foifeito para corrigir esta falha.

Somos contra este modelo de Agricultura, o Agronegócio, pois este modelocontribui para a degradação ambiental; derramamento incontrolável deprodutos químicos e incorporação de insumos sintéticos; poluição de nossosrios; uso irracional dos solos; desmatamento e queimadas da nossa florestaAmazônica, Cerrado e Pantanal; perda da biodiversidade da fauna e flora,pois visa a alta produção agrícola e não a ideal;

Estima-se que a dívida dos latifundiários do agronegócio - roladas desde adécada de 1980 - atinja hoje R$ 30 bilhões, com uma taxa de inadimplência emtorno de 90%. Em 1998, por exemplo, algumas dívidas foram renegociadas parapagamento em parcelas anuais, até o ano de 2025. Já entre os pequenosprodutores e assentados, os atrasos no pagamento são inferiores a 2%.

A falácia do chamado "desenvolvimento fantástico do agronegócio" éfacilmente desmascarada também quando observa-se a tremenda queda nas vendasde máquinas agrícolas no Brasil nos últimos anos. Os números são daAssociação Nacional dos Fabricantes de Máquinas Agrícolas (Anfavea). Em1976, foram compradas 80.215 unidades no país. Em 2000, 24.291 unidades,enquanto em 2005 o número despencou para 17.729 unidades.

Pelos dados doInstituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no último censo, asfazendas com mais de 2 mil hectares tinham em seu patrimônio apenas 35 miltratores, as pequenas propriedades, com menos de 200 hectares tinham mais de500 mil.

Nesse sentido somos a favor da VIDA, de uma agriculturaagroecológica, do arroz, do feijão, da mandioca, do frango, das olerícolas,do café, das frutas, todos esses produtos oriundos da agricultura familiarou pequena agricultura, e não comemos soja todo dia, pois esta soja é paraalimentar bovinos na Europa e que estão sendo boicotadas porque estes paísesnão aceitam soja transgênica.

Por isso não podemos ficar a mercê e sofrendo conseqüência que éde uma burguesia elitizada, assim reafirmamos os nossos compromissos eapoiamos os movimentos sociais como, o Movimento dos Trabalhadores SemTerra - MST, Via Campesina, Conselho Indigenista Missionário - CIMI,Movimento dos Pequenos Agricultores - MPA, Comissão da Pastoral da Terra -CPT, Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil - FEAB, que trazemconsigo a luta de uma nova proposta de vida, que incluem todos e todas noprocesso de transformação da sociedade urbana e rural .

DIRETÓRIO CENTRAL DOS ESTUDANTESDOM PEDRO CASALDÀLIGA "Nossas vidas valem pelas causas que vivemos" Dom Pedro CasaldàligaGestão 2005/2006 - DCE é de luta Universidade do Estado de MatoGrosso - UNEMAT / Campus Universitário de Tangará da Serra Rod. MT 358Km 07. Caixa postal:287 - CEP 78.300-000 Tangará da Serra - MT.Fone/Fax: (0XX65) 326-6368-Ramal 224-correio eletrônico:dcedompedro@unemat.br

Criador da comunidade é do MT


Amig@s,
Tomamos a liberdade de reproduzir esta informação sobre o caso da comunidade Fora Greenpeace no Orkut, publicada no Blog do Jornalista Geso Carneiro: http://www.jesocarneiro.blogspot.com

Segue o texto na íntegra:

Em entrevista ao blog na manhã de ontem, Sidney Neumann (foto), conhecido como Dé, confirmou que foi quem criou a comunidade “Fora Greenpeace...”, como forma de repúdio à presença e intromissão da ONG na região.

Natural da cidade de Nova Mutum (MT), Neumann chegou há 3,5 anos em Santarém. Disse que vivia num país de “livre expressão” e que, portanto, não via qualquer problema com a sua comunidade.Sobre a apologia à violência nos comentários feito por Derick Figueira, declarou desconhecimento, pois "há dias não acessava à Internet". Afirmou que, como moderador, não fazia nenhum tipo de censura nos comentários postados e que não poderia ser responsabilizado pela opinião dos membros da comunidade.

Visivelmente nervoso, não se deixou fotografar e nem tampouco que o repórter escrevesse qualquer coisa no bloco de anotações. “Não escreve nada não”, avisou. Acusou ainda o jornal GAZETA de fazer o jogo do Greenpeace e ameaçou: “Olha lá o que vocês vão escrever”.

A entrevista de Neumann foi concedida em pé, na porta que dá acesso ao seu escritório no Auto Posto Prainha, localizado na avenida Curuá-Una, esquina com a rua Álvaro Adolfo. Quando indagado se sabia que poderia se processado por crime de apologia à violência e formação de quadrilha, mostrou-se surpreso e disse que não.

5/30/2006

Página no orkut incentiva violência contra ambientalistas em Santarém


Um dos nossos Jovens pela Floresta descobriu a existência de uma página na comunidade virtual Orkut intitulada Fora Greenpeace.

Olhe a descrição da mesma:

Fora Greenpeace!!!!!!A AMAZÔNIA é dos Brasileiros!!!!!!A verdadeira intenção do GREENPEACE é paralisar a econimia da AMAZÔNIA. O GRRENPEACE é financiado pelos países do primeiro mundo que querem a AMAZÔNIA para eles, a AMAZÔNIA é a única reserva mundial de minério, água potável, gás natural, petróleo, madeira, bio-diversidade, sem falar que com a expasão da agricultura, o Brasil seria o maior produtor mundial.O Brasil seria a maior potência mundial!Estou indignado com o descaso do poder público que não faz nada com essas ONGS que estão invadindo a AMAZÔNIA, o nosso PAÍS!!!!!!CADÊ NOSSA SOBERANIA??!!O BRASIL AINDA É DOS BRASILEIROS!!!SE VOCÊ CONCORDA COM ISSO, E É CONTRA O GRRENPEACE. ENTRE NESSA COMUNIDADE!!***OBS***ESSA COMUNIDADE NÃO É PARA ECOLOGISTAS, PRIMEIRO DE TUDO TEM QUE LEMBRAR QUE O BRASIL PRECISA É DE EMPREGO,COMIDA PRA QUEM TÁ PASSANDO FOME E DE UM GOVERNO QUE TENHA VERGONHA NA CARA, QUE TRABALHE PARA LEGALIZAR AS TERRAS NA AMAZÔNIA

Até aqui isso não é novidade, pois esse discurso de Falso Nacionalismo, que ao mesmo tempo diz que a Amazônia e suas riquezas é dos brasileiros, e por outro lado, não está nem aí com essas mesmas riquezas, ao aceitar a destruição da floresta pra dar lugar à soja e todas as suas conseqüências sociais e ambientais, sem considerar ainda a multinacional Cargill como a verdadeira intervenção internacional roubando nossas riquezas.

O que impressiona é que a maioria dos seus 196 membros são jovens, por sinal muito desinformados e sem menor consistência em suas afirmações. Poderíamos avaliar apenas como atitude inconsequente de jovens rebeldes sem causa, que se deixam influenciar pelo senso comum formado pela mídia porca que temos em nossa cidade. Mas o prior é que isso chega a níveis que precisam de providências criminais.

Veja alguns tópicos da mesma:

Fiquem ligados 25/05/2006 22:16Fiquem espertos; o Green Peace disse que vai voltar a protestar contra a Cargill... Então meus amigos vamos mobilizar dinhiro para que quando eles tentarem invadir o porto da cargill; vamos alugar lanchas e embarcações e vamos atirar bombas contra o navio deles sem medo de sermos presos; Estamos defendendo o que é nosso; Defendendo nossa pátria contra a Invasão estrangeira. E Se você amigo tiver oportunidade de pegar um ativista na rua; bata; mais bata até a morte; pode ser homem o mulher; bata para matar; pois quando um morrer; ai sim eles vao ver de quem é A AMAZONIA!!! Obrigado rota 5 por descer a ripa nessas ongs de fachada! Obrigado Osvaldo de Andrade por tambem defender os sojicultores! Matem o Edilberto Senna e o PADRE BOING pelo BEM DE SANTAREM!!!!

Padre Edilberto Senna é um dos principais lideres da Frente de Defesa da Amazônia, que congrega dezenas de organizações da sociedade civil que lutam contra a ocupação predatória da soja em nossa região.

O responsável por este tópico chama-se Derick Figueira, tem 18 anos de idade, mora em Santarém e sua foto aparece no orkut. Esta é a página de fotos dele: http://www.flogao.com.br/derickf

No mundo virtual, nunca se tem certeza das identidades, mas isso demonstra o grau de irresponsabilidade e violência a que eles chegaram.

5/24/2006

A FORÇA MUNDIAL DO MOVIMENTO AMBIENTALISTA

Foi na velha Europa, no início da década de 80, que o movimento ambientalista, até então restrito à imagem de protetor dos bichos e dos parques, ganhou notoriedade e força política, irrompendo como protagonista no cenário mundial.

Os efeitos sócio-ambientais negativos, do processo de globalização, detonaram o surgimento de um movimento, que rapidamente ganhou as primeiras paginas dos jornais, atravessando de forma horizontal o sistema político tradicional, até então dividido pelas ideologias de Direita e Esquerda.

Junto aos novos sujeitos sociais como: movimentos dos consumidores, de gênero, das minorias étnicas, religiosas e sociais, os ambientalistas incluíram a “natureza” como sujeito fundamental com direito à cidadania.

As gritantes desigualdades entre O “Norte” e o “Sul” do Planeta, pela primeira vez foram identificadas com a exploração predatória dos recursos naturais perpetradas pelas nações ricas à custa dos paises pobres. As crises mundiais, políticas, sociais, energéticas, e ambientais começaram a ser lidas como uma conseqüência desse modelo desigual, aonde os paises ricos podiam consumir o 80% dos recursos naturais e os paises pobres (a grande maioria), consumirem apenas o 20% desses recursos.

O modelo de desenvolvimento global, seus mecanismos perversos, os modelos de consumo, o uso democrático e sustentável dos recursos naturais começaram a ser discutidos numa ótica global, superando o “nacionalismo tradicional”, até porque a questão ambiental transcende os tradicionais limites territoriais das nações. O aquecimento global que afeta todo o planeta é provocado, principalmente, pela demasiada emissão de gases de uma minoria de nações ricas. A destruição das florestas tropicais tem efeitos deletérios para o clima de toda comunidade internacional, uma ação ambientalmente irresponsável de um nosso vizinho terá um reflexo negativo direto na vida de todos nós.

Ao identificar as Nações Desenvolvidas como principal imputado desse modelo perverso, os ambientalistas começaram a pressionar o Grupo das Nações mais Ricas (G-7), que para garantir seu padrão de consumo e de vida, usam o capital financeiro e a ação das empresas multinacionais, para perpetuar a exploração econômica e ambiental dos paises pobres, que possuem abundancia de recursos naturais. Com tamanho desafio os ambientalistas reorganizaram suas ações, justamente na mesma escala das multinacionais: a escala global, aonde se joga a partida do futuro do Planeta e da humanidade. Nesse cenário o movimento ambientalista perdeu as características nacionais e tornou-se um movimento mundial.

Se perguntar hoje para um ativista do WWF internacional, ou do Greenpeace, onde está sua matriz. Se estiver no Brasil responderá que é no Brasil, mas dado que a Entidade tem presença em quase todos os paises do mundo, poderá dizer que sua organização tem sede central naquela tal Cidade daquele tal País. Que congrega tantos milhões de aderentes no mundo todo, que no Brasil têm tantos adeptos e que seu movimento é mais forte na Europa e menos na Ásia, e lá vai.

Na verdade isso em nada difere de outras agremiações globais, como por exemplo, as Igrejas. Os católicos sabem que a Santa Sede está no Vaticano, mas não por isso negam seu pertencimento à Igreja brasileira. Todas as outras confissões também trabalham nessa escala..

Assim sabemos que a Sede Central do WWF Internacional está na Suíça, como sabemos que o Greenpeace tem base central na Holanda, assim como os Amigos da Terra, mas todos eles agem no mundo todo, sem restrições nacionais, e quando se trata de agir em favor da causa ambiental, ninguém se faz problema de participar, seja aonde for, seja onde estiver.

A Multinacional Cargill é propriedade de uma Família Americana, mas ela atua em grandes partes dos paises do Mundo afora criando problemas sociais e ambientais, e não é de hoje que está sendo enfrentada pelos ambientalistas e movimentos sociais dos respectivos paises. Na década de 90, na Índia, a Cargill passou pelos mesmos problemas que está passando agora em Santarém, naquele País, teve que recuar ressarcindo financeiramente os prejuízos ambientais e sociais que provocou.

Entender o tabuleiro onde se joga a questão global é fundamental, isso para não cair no “provincianismo” que grupos trogloditas locais tentam insuflar na cabeça das pessoas, especialmente quando os interesses em jogo são grandes, e envolvem conflitos que podem ter sim, o seu ponto agudo em Santarém, mas que na verdade se jogam na mesa dos interesses globais.

A ação dos movimentos sociais e do Greenpeace contra a Cargill em Santarém, é apenas um dos lugares onde a Multinacional está sendo encurralada, e a pressão maior está sendo conduzida lá fora, com o mercado da soja e os seus clientes.

Quando a Cargill perceber, como já está percebendo, que com sua presença conflituosa em Santarém, perderá mercado global, não pensará duas vezes em migrar em outras direções, abandonando o campo, e dando um chute na bunda dos seus esquentados aliados locais. Eticamente isso é até discutível, mas todos sabem que no fundo, o mercado não tem alma.

Tiberio Alloggio
Sociólogo

Organizações da sociedade civil e o controle social da imprensa

Os recentes acontecimentos ocorridos na cidade de Santarém entre defensores da floresta e do desenvolvimento sustentável e a frente de ocupação predatória do agronegócio na região, despertaram as organizações da sociedade civil para a necessidade de discutir o papel da imprensa santarena nas discussões de interesse público.

Como afirma Eduardo Guimarães, “o século 21 nasceu numa sociedade baseada na informação. No mundo de hoje, o grande jogo do poder se dá na mídia. Nesse contexto, essa mídia – e sobretudo a imprensa que a pauta – assume, antes de mais nada, um papel social de altíssima responsabilidade e que deve ser exercido com absoluta transparência sob pena de ameaça à democracia e aos direitos de cidadãos por conta de etnia, credo, grau de instrução, posições político-ideológicas ou de estrato social a que pertençam”.

A forma extremamente tendenciosa, sensacionalista e até preconceituosa como são tratados temas ligados aos movimentos sociais em grande parta da imprensa santarena, principalmente quando eles se contrapõe aos modelos impregnados na sociedade que geram a continuação da miséria, a concentração de renda, e da destruição do meio ambiente, desconsiderando critérios mínimos e limites éticos do jornalismo, são exemplos claros de que em Santarém, temos um grande desafio pela frente.

A exemplo do que já vem ocorrendo em outros estados do País, onde a sociedade civil organizada vem elaborando estratégias de controle social da imprensa, através de Observatórios Sociais da Imprensa, é tempo dos movimentos sociais de Santarém se articularem para isso.

Os Observatórios Sociais da Imprensa funcionam como lupas que acompanham diariamente o que e como são produzidas e divulgadas as informações de interesse público. Funcionam ainda como um fórum permanente onde os usuários da mídia – leitores, ouvintes, telespectadores e internautas –, organizados em associações desvinculadas do estabelecimento jornalístico, poderão manifestar-se e participar ativamente num processo no qual, até há pouco, desempenhavam o papel de agentes passivos.

Isto pode resultar entre outras coisas, em pressão pública pelas mudanças de atitudes dos veículos de comunicação e, quando convier, os observatórios podem mover ações civis públicas para exigir reparações ou direito de resposta, assim como já ocorreu no caso da Rede TV em São Paulo, que foi obrigada a destinar horário nobre em sua programação para veicular programas de organizações representantes de grupos sociais que estavam sendo alvo de preconceito em um programa da emissora.

Em Santarém, algumas organizações já começaram a discutir esta proposta. Vãos torcer para que ela se fortaleça.

5/23/2006

Errata 05



Vejam como foi a cobertura de imprensa local (nem todos os veiculos) sobre os manifestos pró e contra a soja na amazônia e a campanha do Greenpeace. Pegamos como exemplo um dos programas mais assisido da TV santarena, o Rota 5, e resolvemos corrigir algumas informações, caso contrário, cairiam no esquecimento.
Clique nas imagens para ler melhor.

Bunge Aflita e a Cargill na contramão da lei

A Bunge, uma das principais exportadoras da soja brasileira para os Estados Unidos e a Europa, está preocupada. Seus principais compradores lá fora não querem mais receber soja sem ter a certeza que ela foi plantada em terras com título de propriedade regularizado e de acordo com as leis ambientais do país. A empresa prometeu que vai implantar um programa junto aos seus fornecedores do grão aqui para garantir que eles plantam de acordo com a legislação brasileira. Mas pediu um tempo sob o argumento de que compra soja de mais de 60 mil fazendeiros no Brasil.

Um começo

Os clientes da Bunge aceitaram esperar, desde que a empresa começasse já a implementar programas-piloto para controlar e monitorar o respeito de seus fornecedores à legislação de meio ambiente e fundiária do Brasil. A empresa concordou. Breve, vai implantar um projeto para fazer justamente isso. Será no Maranhão, zona de transição de cerrado para floresta amazônica e uma das recentes fronteiras agrícolas abertas pela expansão do plantio do grão.

Capitulando

Enquanto isso, a Cargill segue na contramão, tentando buscar caminho para legalizar os plantadores de soja da região de Santarém, que além do desmate ilegal de 80 mil hectares de florestas primárias e secundárias, ocupam terras griladas. Mas a empresa começa a dar sinais de que pode rever sua política.

Conversa

Na semana passada, enquanto seus funcionários confrontavam ativistas do Greenpeace que bloquearam o seu terminal portuário em Santarém – aliás construído sem o devido Estudo de Impacto Ambiental (EIA) – a direção da empresa ligou para o escritório da Ong em Londres se dizendo preocupada com a situação e pedindo uma conversa. Como resposta, ouviram que papo só se a Cargill topasse trazer uma proposta para reverter o incentivo que dá à ilegalidade que cerca a produção da soja no Oeste do Pará. Seus diretores pediram prazo de duas semanas.

Pressão

O Greenpeace, apesar do telefonema, continuou botando pressão. Comprou 4 toneladas de soja e nesta segunda-feira, despejou tudo no portão de um grande depósito do grão que a Cargill mantém em Surrey, na Inglaterra, para paralisar suas operações. Os ativistas da Ong também bloquearam os portões de uma unidade da Sun Valley em Orleans, na França. A empresa é uma subsidiária da Cargill.

Respeito à lei

Se a Bunge colocar em prática o que anda prometendo aos seus compradores no Primeiro Mundo, é uma ótima notícia. A questão não é ser contra o plantio da soja no Brasil, mas exigir que ele pare de ser feito no mais completo arrepio da lei. A expansão de sua fronteira rumo ao Norte tem sido selvagem. Setenta e cinco por cento dos desmatamentos detectados nos últimos cinco anos no Mato Grosso, a maioria feita para implantar a monocultura de grãos, foram irregulares. Idem na região de Santarém, onde 80 mil hectares de florestas primárias e secundárias sucumbiram no mesmo período à expansão do grão.

Dane-se

No caso específico do Oeste do Pará, a Cargill meteu-se diretamente no fomento do plantio do grão, estendendo financiamento aos produtores, em flagrante violação de uma política de governo de não permitir que pessoas com terras em situação fundiária irregular, peguem dinheiro de terceiros para custear qualquer tipo de produção em cima delas. O sistema financeiro nacional está proibido por portaria do Incra de dezembro de 2004 de emprestar dinheiro a quem só tenha o protocolo do registro de pedido de legalização de posse no órgão. A Cargill não se sentiu impedida pela medida e abriu seus cofres para sustentar a expansão da soja em Santarém.

5/22/2006

Soja: novos protesto na Europa

Após participar da Marcha pela Floresta em Pé, que reuniu ontem, 21, cerca de 800 pessoas em Santarém, a organização não-governamental (ONG) ambientalista Greenpeace fez hoje na Europa novos protestos contra a presença da soja na Amazônia.

Em Surrey, na Inglaterra, os ativistas bloquearam com quatro toneladas de soja a principal entrada da unidade industrial da multinacional Cargill; em Orleans, na França, eles fizeram perfomances (apresentações teatrais) na empresa Saint Valley, que trabalha com exportação de carne de frango."Estamos hoje promovendo ataques globais.

A Cargill ligou de Washington (nos Estados Unidos, país sede da empresa): eles estão recebendo uma pressão pesada dos clientes e querem conversar", revelou à Radiobrás o coordenador da campanha Amazônia, do Greenpeace, Paulo Adário.Semana passada, a Cargill enviou à prefeita de Santarém, Maria do Carmo (PT), uma carta pública na qual se comprometia a comprar soja apenas dos produtores que cumprissem o Código Florestal (que determina que apenas 20% da área total da propriedade pode ser desmatada na Amazônia)."Esse comunicado não tem valor legal, é pura questão de marketing", acusou Adário.Na última sexta-feira,19, o terminal foi bloqueado durante quatro horas pelo navio Arctic Sunrise, do Greenpeace.

Dezesseis ativistas – entre brasileiros e estrangeiros - foram detidos pela Polícia Federal, mas estão soltos. "Eles responderão pelo crime de desobediência, cuja pena máxima prevista é de dois anos de detenção", explicou a delegada Luciana Mota.Adário informou ainda que o navio parte hoje para Manaus (AM), onde deve chegar na quarta-feira. No fim de semana, ele estará aberto à visitação.

Fonte: Radiobras

Porto da Cargill – Ministério Público Federal recua e faz cobranças ambientais que podem fechar o porto


Na semana passada, o movimento contrário ao porto da Cargill, que se estende por uma área de 580 metros e começou a operar em 2003, conseguiu uma vitória. Prestes a assinar um Termo de Ajustamento de Conduta com a multinacional, o Ministério Público Federal retrocedeu por recomendação da assessoria técnica da 4ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF, responsável por análises em casos em que envolvem licenciamento ambiental.Até agora, todas as decisões judiciais exigem da multinacional o Eia/Rima, já que na época da implantação foi feito apenas um Plano de Controle Ambiental, que não inclui audiências públicas com a comunidade afetada pelo porto.

Com isso, o fantasma de um possível fechamento do porto voltou a assombrar os que defendem a soja na região.O presidente da Associação Comercial do Município, Renato Dantas, diz que a decisão pode ser um desastre para a economia do município.'A simples possibilidade de fechar o porto já é péssima para a gente. O porto cria a pré-condição para que se produza na região', diz Dantas. De acordo com ele, o porto fechado provocará uma queda de 50% no Produto Interno Bruto (PIB) do Município. 'Essa demanda já está se tornando pessoal e ideológica', acusa.

Ressaltando ser promotora de Justiça, a prefeita de Santarém, Maria do Carmo Martins, diz que se preocupa com um possível fechamento do porto, mesmo que seja provisório. 'O fechamento trará prejuízos não só para Santarém, mas para o Brasil. Hoje, grande parte da produção do Centro-Oeste já passa por aqui', diz.

Embora a participação dos sojeiros locais seja de apenas 3% nas exportações totais da Cargill, o setor teria provocado, segundo a prefeita, em menos de dez anos, um incremento de 100% no PIB do município. 'Preocupa-me esse fechamento, mas quero dizer que esse modelo de desenvolvimento baseado na soja não é um modelo que eu defendo. Eu defendo uma diversificação da base econômica, da produção e por isso contamos com a ajuda do governo federal e estadual', diz.

O porto da Cargill foi construído em uma área arrendada da Companhia Docas do Pará (CDP), com alvará de autorização da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente (Sectam). De acordo com o MPF, no local havia um sítio arqueológico ignorado pela empresa. Não foram levados em conta também possíveis danos ao rio.

Oposição comemora

Integrante da Frente de Defesa da Amazônia e membro da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Gilson Rego concorda com a decisão do MPF de não assinar mais o Termo de Ajustamento de Conduta. 'Não concordamos com o TAC porque primeiro a empresa fez o porto de forma irregular para que agora se diga que não há mais jeito e com isso se encontre uma alternativa.

Queremos que a Cargill cumpra a lei', diz ele.A Frente de Defesa da Amazônia é formada por cerca de 15 entidades, que reúne estudantes, mulheres, negros e as pastorais da igreja católica. O movimento condena o plantio da soja na região. 'É um grande equívoco achar que o agronegócio é a saída para o desenvolvimento. A chegada da soja está aumentando a pressão sobre a floresta e a violência, porque aumentou também as disputas por terras', diz Rêgo. (http://www.ecodebate.com.br/) Fonte - O Liberal, PA - 20/05/2006

Mais mentiras de sojeiro

Setores da mídia santarena estão dando voz a uma “denúncia” de que participantes da Caminhada pela Floresta em Pé foram pagos para participar da manifestação. Um sr. foi a um programa de televisão dizer que viu (mas não tem como provar) pessoas recebendo R$ 150,00 para se juntar à caminhada.

Imaginemos que se esse cidadão acha que pessoas engajadas, conscientes de seu papel enquanto povo da Amazônia se vendem, é uma demonstração pura de que ele próprio se vendeu. Será que essa merreca foi o preço dele, que parece ser santareno, para denegrir o movimento legítimo da população organizada que luta por seus direitos e por um desenvolvimento justo?

Esse mesmo cidadão foi visto jogando ovos no carro de som da caminhada e ao lado de um sojeiro fazendo gestos provocativos aos manifestantes. Dá pra acreditar?

Cargill + TNC + Sojeito

Carissim@s,

E de arrepiar os meus poucos cabelos. No talher de capacitacao e orientacao da GEO AMAZONICA do Programa das Nacoes Unidas para o Ambiente, onde represento a REDE GTA, que esta sendo realizada em Vila de Leiva, uma pequena cidade proxima a Bogota, tem alguns pesquisadores defendendo a ideia de que a producao de soja na Amazonia e sustentavel. Isto esta gerando uma discussao muito interessante, pois nos grupos de trabalhos surgiram os temas de perda de biodiversidade, contaminacao dos recursos hidricos, espoliacao das populacoes tradicionais e povos indigenas, reducao na disponibilidade de peixes, mega projetos, entre outros temas. Estamos construindo uma matriz estrategica de atuacao e cenarios futuros para os proximos 25 anos com representacao de todos os paises amazonicos. Conseguimos estabelecer dialogo com os hermanos bolivianos e peruanos em relacao a resistencia contra a construcao do complexo rio madeira (hidrovia e hidreletricas).

Temos que intensificar luta contra esta praga na Amazonia chamada soja.

Silvanio
Coordenador do GTA Rondonia

5/21/2006

Santarenos mandam recado para Cargill


Ao Grito “fora a Cargill”, uma grande manifestação, promovida por dezenas de entidades e movimentos sociais da cidade e do campo, atravessou a Orla Santarena e terminou na frente da multinacional americana Cargill.

Mais de 1500 representantes dos moradores de Santarém, das comunidades de ribeirinhos e do planalto santareno participaram da passeata para reivindicar o afastamento da Multinacional da Região para que acabe o processo de destruição da floresta e a sua substituição com a monocultura de Soja.

A manifestação pacifica, é uma resposta em massa as violentas provocações, que há dias grupos de “sojeiros” e do empresariado local estão praticando contra ativistas do Greenpeace e dos movimentos sociais que lutam há anos contra a presença da Cargill e a sua política de incentivos à destruição da floresta.

Com essa grande mobilização definitivamente o embate saiu da periferia do “campo”, aonde era resolvido com a prevaricação e às vezes com a violência gratuita dos mais “poderosos” contra os mais fracos. Esse embate, hoje permeia a cidade toda, e em todos seus setores.

A mobilização em massa quebrou o clima de “medo” que setores truculentos ligados à grilagem de terra tentaram espalhar na cidade, com ameaças, provocações e agressões. Hoje não há dúvida nenhuma que a democracia ganhou um grande espaço, com a sociedade santarena toda podendo se manifestar abertamente, discutir suas perspectivas, e o seu futuro livremente.

O movimento “Fora a Cargill”, ilegalmente instalada em Santarém, e que está funcionando pendurada em liminares nas varias instancias judiciais, ganha agora forca e perspectivas, mostrando para todos que por poderosa que seja a Multinacional Americana terá que arcar com a conta salgada, do passivo sócio-ambiental que provocou na região.

Paz marca “Caminha pela Floresta em Pé” em Santarém

Aconteceu neste domingo, dia 21 de maio a Caminhada pela Floresta em Pé, organizada pela Frente de Defesa da Amazônia, Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Grupo de Trabalho Amazônico e Greenpeace.

O evento reuniu mais de 1500 trabalhadores rurais, sindicalistas, estudantes, moradores de comunidades rurais, religiosos e cidadãos em geral para um protesto pacífico contra a ocupação predatória da Amazônia realizada pela monocultura da soja.

O evento teve seu ponto de concentração em frente ao Mercadão 2000, principal referência da produção familiar em Santarém de onde seguiu até o porto da multinacional norte-americana Cargill, principal financiadora e compradora de soja na região.

O movimento já tinha sido programado pelos movimentos sociais locais, e em função do acontecido da sexta-feira, quando ativistas da organização tentaram impedir o carregamento da soja em uma balsa no porto da Cargill e foram agredidos por funcionários da empresa e por sojeiros que alugaram barcos e tentaram invadir o Navio do Greenpeace, a manifestação se tornou também um apoio público da sociedade civil organizada ao trabalho da entidade em Santarém.

Diferentemente da carreata dos sojeiros e seus apoiadores, que teve carros de luxo, automóveis 4 x 4 e caminhões, o movimento de hoje foi uma caminhada autêntica da população tradicional de Santarém, a maioria sem condições de adquirir carros, afinal a soja não trouxe emprego nem melhorou a qualidade de vida do povo, como é divulgado na cidade. Mas não foi necessariamente por isso que o movimento preferiu a caminhada, mas sim pela maior possibilidade de animação do povo na rua, da integração de todos.

Arte, irreverência e valorização da cultura local.

Na caminhada não faltaram apresentações culturais de músicos e artistas locais. Estava presente o locutor que é um dos maiores sucesso da rádio Tapajós em Santarém, Teodorico, com seu jeito caboclo e linguajar popular, é uma das fortes expressões da identidade cultural local e alegrou os participantes. Um exemplo que os comunicadores e a mídia pode ser diferente.

No meio do povo, uma equipe de TV brincava de imitar os repórteres do Programa Rota 5, da TV Ponta Negra. Na versão irreverente, o programa foi apelidado de “Arrota Assim”, o repórter J Senna, conhecido como “o homem do sapato branco” ganhou a versão de “o homem do sapato vermelho” que anunciava: “se você quiser mandar uma mensagem para o nosso programa é só passar uma mensagem para: sojeiro@terra.com a cargill”. O cinegrafista verdadeiro do Rota 05 se ocupou de filmar cada passo da irreverente equipe de reportagem.

De modo geral, houveram muitas críticas à imprensa local. Uma estudante da Ulbra de posse de um exemplar do Jornal Liberal aproveitou para protestar contra uma matéria e foto publicada que apresentava todos os estudantes da mesma universidade como contra o Greenpeace, sendo que a mesma é assessora de imprensa do centro acadêmico e assim como outros estudantes, não compactuam com as opiniões divulgadas. Ressaltasse que a ULBRA é uma universidade particular vista tendo a maior concentração de filhos de sojeiros e da elite santarena.

Não faltaram provocações, mas a caminhada foi marcada pela paz.

Durante o trajeto da caminhada não faltaram provocações por parte dos sojeiros, que colocaram suas caminhonetes em pontos estratégicos para “observar a manifestação”. Ovos foram jogados no carro de som, e pessoas foram vistas no meio do povo proferindo palavras provocativas. No rio, o empresário Nivaldo Pereira, proprietário da Tv Ponta Negra, era visto com sua lancha fazendo manobras de demonstrações de arrogância. A polícia militar colocou dezenas de homens armados principalmente em frente ao prédio da Cargill, mas do que em todo o percurso da caminhada. Foram feitos cordões de isolamento e impedida a passagem de carros. Apesar disso, em vários momentos grupos de sojeiros tentavam entrar no meio do povo.

Mas a passeata foi marcada pela paz e alegria, dentro do que se pode esperar de um povo digno e trabalhador que sabe manifestar suas opiniões com verdadeiro sendo democrático. Das janelas de suas casas, moradores aplaudiam a manifestação e colocavam faixas e panos brancos pedindo paz na cidade, paz na floresta.

Ao final do evento foi servido um almoço comunitário à base de comidas regionais. A soja não fazia parte do cardápio!

O debate sai ganhando

Um dos principais resultados da Caminhada foi a adesão de cada vez mais pessoas ao movimento pela floresta em pé e em favor de um desenvolvimento junto para a região. Setores antes vistos totalmente contra as opiniões dos movimentos sociais agora demonstram estarem divididos. O assunto é cada vez mais debatido entre os cidadãos e daqui para frente, espera-se menos violência e maior qualidade dos debates. A sociedade civil organizada deu o exemplo. E a pressão pública agora deve partir não apenas para cobrar que a justiça se cumpra com a já condenada Cargill, mas também que ela pague o preço dos prejuízos sociais e ambientais que vem causando na região.

Jovem da Floresta, moradora da Resex Tapajós/Arapiuns manda seu recado

O estado em que se encontra o grupo do Greenpeace em Santarém é de revoltar qualquer cidadão de valor e cultura. Sou uma jovem de 18 anos, moradora de uma Reserva Extrativista, a Resex Tapajós/ Arapiuns, e vejo que a soja não é cultura amazônica e não está trazendo benefício algum à população local. Muito pelo contrário, com a chegada dos sojeiros na região, muitas famílias foram desapropriadas de suas terras e estão hoje nas periferias das cidades, entregues ao mundo da violência e das drogas.

O que se pode notar é que a soja trás benefícios somente para os produtores (empresários), enquanto a população que deveria ser beneficiada, apenas sofre com as conseqüências do desemprego, da poluição do solo e da violência no campo.

Digo que tenho sorte ,pois morando em uma área de reserva me sinto mais segura podendo evitar assim a entrada de grileiros. ONGs quando tentam mudar a situação são impedidas e suas lideranças agredidas por entidades e pessoas importantes que não aceitam, porque para eles o importante é lucro. E os pequenos agricultores como ficam? E aqueles que tiveram suas terras tomadas?
Preocupo-me com futuro deles. E se isso continuar o desmatamento vai aumentar os problemas. E uma pergunta que não quer calar: e a cor da nossa bandeira, em lugar do verde, que cor vai ficar? Amarela pálida, cor da soja?

Natália Sousa

5/20/2006

Tudo preparado para a Caminhada pela Floresta em Pé.


Diversos setores da sociedade civil organizada, inclusive o Greenpeace, preparam para amanhã a Caminhada pela Floresta em Pé. A cidade aguarda com muita expectativa, apesar do boicote da imprensa local que dificilmente divulga a programação. Somente a Rádio Rural de Santarém da Igreja Católica tem levando ao ar convocações para a participação popular.

A caminhada será o contraponto estratégico do movimento que vem enfrentando o modeloe de ocupação predatória na Amazônia conduzida pela agronegócio. São esperados trabalhadores rurais, seringueiros, lideranças comunitárias, militantes de ongs ambientalistas, estudantes e a população em geral. A concentração será em frente ao mercadão 2000, principal referência na comercialização da produção familiar da região.

Não deixe de participar!

Sojeiros agradecem polícia de Santarém


Começa a circular na cidade carros com faixas e pinturas com dizeres: obrigado polícia de santarém!

Não queremos dizer que a polícia está tomando parte no momento crítico em que estamos vivendo, mas que existe pressão dos sojeiros para tal.

No caso da Polícia Militar do Pará, informações circulam na cidade de que em casos de agressão, como o que ocorreu na orla de Santarém com violência entre militantes dos movimentos sociais, greenpeace e os sojeiros, quem liga para o 190, o telefone de emergencia da polícia, é recebido com uma estranha pergunta: você é contra ou favor o greenpeace?

Ontem ao final da carreata dos sojeiros, o cinegrafista do movimento jovens pela floresta registrou o animador do carro de som chamando o Coronel Poroto, da PM de Santarém, que estava bem à frente do carro, para dar seu depoimento, mas o mesmo não aceitou o convite.

Movimentos sociais enviam carta ao presidente Lula

Santarém, 21 de maio de 2005.

Ao Exmo. Presidente da República Luis Inácio Lula da Silva.

Exmo. Sr presidente,

Durante o seu governo o Brasil se consolidou como um grande exportador de produtos agrícolas primários como a soja, produzidos em regime de monocultura, com o objetivo de gerar superávits primário e equilibrar as contas externas. Para atingir essas metas, o País vem desprezando e se desfazendo de seu maior patrimônio, os recursos naturais.

Seu mandato registrou, até agora, recorde histórico em termos de desmatamento. A recente redução dos índices não pode ocultar o fato de que ainda se perde muita floresta, em uma escala semelhante à dos anos 90. Apesar de sinalizar com avanços importantes para a região, como a criação de áreas protegidas, a lei de gestão de florestas pública, e o plano de ação para a prevenção e controle do desmatamento, seu governo enfrenta grave contradição, por estimular o agronegócio agressivo, sem considerar os custos ambientais dessa atividade.

A conservação da floresta Amazônica apenas será possível com o desenvolvimento de alternativas econômicas viáveis, aliadas à melhoria da qualidade de vida dos povos da floresta. Isso depende de um estímulo econômico governamental expressivo, da ordem daquele hoje direcionado ao agronegócio. Por exemplo, o R$ 1 bilhão recentemente anunciado para auxiliar os produtores rurais endividados, principalmente com empresas multinacionais, precisaria também contemplar o apoio à produção familiar, assentamentos agroextrativistas, implementação das reservas florestais comunitárias e manejo adequado de recursos naturais para geração de renda. Diversos programas governamentais destinados a esses tipos de atividades como O Plano de Ação de Controle e Combate ao Desmatamento na Amazônia, Plano Amazônia Sustentável e Pronaf Florestal entre outros, encontram-se parados por falta de verbas ou subdimensionados diante das necessidades reais.

Santarém, maior cidade do oeste paraense, é um modelo do que ocorre hoje em diversas regiões da Amazônia. A chegada dos grandes produtores de soja, atraídos pela instalação de um porto ilegal da empresa multinacional americana Cargill, há três anos, trouxe sérias consequências. Populações rurais foram deslocadas para a periferia da cidade, devido à grande concentração fundiária, necessária para a monocultura mecanizada de grãos.

Processo semelhante ocorre no norte do Mato Grosso, Rondônia, Amapá, Roraima e regiões próximas à rodovia Belém-Brasília, também no Pará. O desmatamento na baixada santarena quase sempre ilegal, aumentou 50% e totalizou cerca de 50 mil hectares nos últimos três anos.

Violência

Nos últimos dias, diante dos protestos pacíficos de ambientalistas e movimentos sociais, os produtores de soja de Santarém mostraram sua outra face, geralmente vista apenas pelos pequenos produtores e comunidades tradicionais que resistem ao agronegócio em suas terras: a face da violência.Hoje, durante um protesto pacífico do Greenpeace no porto ilegal da Cargill, mais uma vez reagiram com violência desmedida. Invadiram o navio da organização, atiraram rojões e agrediram fisicamente alguns dos ativistas que participaram do protesto, após eles terem sido detidos pela polícia. Funcionários da empresa também praticaram agressões. Não satisfeitos, os produtores de soja prometem endurecer contra os ativistas nos próximos dias.

Na semana passada, com a intensificação dos protestos de ambientalistas e movimentos sociais, ameaças e agressões passaram a se tornar freqüentes nas ruas e avenidas. No sábado, dia 13 de maio, a pacífica orla de Santarém transformou-se em uma verdadeira praça de guerra, quando os agricultores reagiram com violência à projeção de imagens, em um barco, no meio do rio.Alguns atiraram rojões, acertando uma ativista. Outros voltaram suas agressões para cinegrafistas e fotógrafos, internacionais e locais, que registravam o protesto. Dois fotógrafos, um alemão e outro de Santarém, foram agredidos fisicamente. Na noite de domingo, dia 14, no porto de Santarém, mais uma vez ativistas do Greenpeace que estavam no navio Arctic Sunrise foram ameaçados por produtores rurais e empresários. Além dos ativistas da organização, integrantes dos movimentos sociais locais vêm relatando ameaças.

Essa reação dos produtores iniciou-se há cerca de um mês, com uma campanha de caráter xenófobo e ultranacionalista, buscando atingir o trabalho de denúncia do desmatamento provocado pela rápida expansão da monocultura da soja na região, realizado por movimentos sociais e ONGs.

A campanha busca isolar o Greenpeace como forte opositor do agronegócio, com o lema “Fora Greenpeace: a Amazônia é dos Brasileiros”. Na verdade, buscam atingir a todos os que se preocupam com os problemas sociais e ambientais trazidos pela monocultura de grãos, nos últimos anos, à baixada santarena. É absolutamente inadmissível que em um país democrático, como é o Brasil, cidadãos que defendem o cumprimento de leis, a preservação da vida e um modelo de desenvolvimento mais adequado para a Amazônia, sejam coibidos de expressar suas opiniões mediante a violência.

Aguardamos uma atenção imediata do Governo Federal aos problemas ambientais e sociais aqui relatados, com o direcionemento de recursos para iniciativas sustentáveis, reforço nos órgãos federais como Ibama, Incra e Polícia Federal na Amazônia e coerção duradoura da violência que se impõe no oeste paraense.

Exemplo vem do estado do Amazonas: Comunidades e ambientalistas calam sojeiros no Amazonas

(GTA) - O que deveria ser a conquista de um novo espaço de legitimidade na Amazônia transformou-se para os produtores de soja em uma crítica pública ao seu papel no desmatamento da floresta. Na tarde de quarta, 10 de maio, a audiência sobre o plantio de grãos no sul do Amazonas, na Assembléia Legislativa do Estado, colheu uma safra de denúncias, alertas e ensinamentos sobre a floresta.

E sobraram críticas também para as políticas ambientais do Governo Federal. Ambientalistas, trabalhadores, sindicalistas, pesquisadores, técnicos, indígenas, seringueiros e outros defensores da sustentabilidade constrangeram a arrogância dos fazendeiros, na maioria vindos de outras regiões do país. Ao contrário de um outro evento semelhante, há poucos meses, onde chegaram a chutar um dos oradores do movimento social e ambiental, o filósofo Adilson Vieira.

A audiência começou com manifestações de um deputado do PPS (mesmo partido do governador do Mato Grosso, Blairo Maggi) em defesa da expansão agropecuária no sul do Amazonas. As consecutivas intervenções em defesa da conservação da floresta foram mudando o clima - em especial com as falas de representantes dos produtores familiares (Fetagri) e dos povos indígenas (Coiam). A Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Amazonas usou a própria pergunta escrita na camiseta dos sojeiros ("De quem é o Amazonas? Dos brasileiros!") para lembrar que antes a floresta é dos brasileiros amazonenses mas que todos são benvindos - desde que não para destruir as culturas, desrespeitar as leis e expulsar os amazonenses de suas terras.

Embora concordando com muitas ações do Ministério do Meio Ambiente, a manifestação criticou duramente a decisão nacional do IBAMA sobre o mecanismo da limitação administrativa na área dos rios Madeira e Manacapuru, que ao desconhecer o cotidiano dos moradores das várzeas colocam produtores ribeirinhos ao lado dos fazendeiros.

Os participantes da manifestação também ressaltaram a necessidade de presença do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente nesses debates, a realização de consultas para a criação de unidades de conservação e a busca de alternativas para a presença de policiais federais com metralhadoras nessas consultas.

A mobilização de diversos setores da sociedade para o debate sobre o tema da soja no Amazonas mostra que o discurso dos fazendeiros sobre a inevitabilidade do desmatamento não é consenso entre muitos cidadãos e cidadãs do Brasil e, particularmente, da Amazônia.

Que desenvolvimento é esse?

Marco Antônio escreveu no Blog Fora Greenpeace: http://foragreenpeace.blogspot.com/


Sra. Nilder.Como você pode chamar de desenvolvimento um processo que não destrói só a floresta, mas a vida de muitas pessoas? Esse 'desenvolvimento' que você prega, baseado na expansão da soja (impulsionada por empresas multinacionais, como a Cargill) e da pecuária, agride, violenta e mata. Desenvolvimento que gera miséria e enriquece poucos, como o que acontece na fronteira agrícola da Amazônia, não é desenvolvimento, é expoliação, é roubo, de vidas e dos recursos natuarais. Sua visão, que usa argumentos de um mexicano (Carrasco) para defender os 'interesses nacionais' contra organizações mundiais (sim, o Greenpeace é uma entidade que é mundial, muito diferente de ser uma organização estrangeira - como a Cargill) que defendem os interesses (e trabalham junto) das populações locais contra a violência e a destruição é completamente míope. Em 30 anos, mais de 700 pessoas foram assassinadas no estado do Pará, entre trabalhadores, lideranças, religiosos. Tudo em nome disso que você chama de 'desenvolvimento'. Hoje, muitas famílias que viviam de sua pequena produção na BR-163, vivem aqui na periferia de Santarém tirando o que conseguem do lixo, isso mesmo, do lixo. Foi isso o que a soja trouxe para essas pessoas - tirou sua propriedade, seu meio de vida e as jogou no meio do lixo.

Fora Santarenos

Editorial publicado na edição de hoje da GAZETA:

Ganha forma e começa a mostrar os dentes aqui entre nós um preconceito similar ao que viceja em Manaus contra os paraenses: o de sojicultores em relação aos moradores da região. No sábado, o editor-proprietário da GAZETA, Celivaldo Carneiro, sofreu na pele essa forma odiosa, reprovável e abjeta de intolerância.

Ele e pelo menos dois outros profissionais da imprensa, que acompanhavam a manifestação do Greenpeace na orla fluvial, sofreram agressão verbal de vários plantadores de soja, a maioria nascido no centro-sul do país. Foram tachados pela turba ensandecida de “preguiçosos”, “índios”, entre outros impropérios, pelo fato de estar ali fazendo a cobertura jornalística do fato.

“Nós viemos pra cá trazer o desenvolvimento pra vocês, seus índios preguiçosos, que não gostam de trabalhar” gritaram os agressores. Contra o fotógrafo Carlos Matos, foram mais além: agrediram-no, danificando sua máquina fotográfica.

Por que a ação violenta, covarde e criminosa? Simplesmente porque os jornalistas estavam ali, testemunhando a selvageria protagonizada por eles contra uma manifestação pacífica. Criadores do movimento “Fora Greenpeace”, não tardará muito, se nada for feito para contê-los, para iniciarem o “Fora santarenos”.

Veja o Blog dos sojeiros

Leia o Blog se tiver paciência, mas não tenha muitas expectativas, pois o discurso é o mesmo. Aproveite para deixar seu comentário lá, mas também não tenha expectativa que vai ser publicado, porque no blog tem referência de vários comentários que foram incluídos e depois deletados.

http://www.foragreenpeace.blogspot.com

MPF descarta acordo com a Cargill

O Ministério Público Federal descartou a possibilidade de realizar ajuste de conduta para legalizar o funcionamento do terminal da Cargill. A decisão é baseada em parecer da 4ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF, que tem sede em Brasília, e se pronuncia em casos controversos de licenciamento ambiental.

Com isso, fica impossível fazer qualquer acordo para garantir o funcionamento do porto e as seguidas decisões judiciais que obrigam a Cargill Agrícola S.A a realizar Estudos de Impacto Ambiental terão que ser obedecidas.Para o MPF, é essencial a realização do EIA completo para o terminal graneleiro. Na época da construção do porto, final da década de 1990, em vez de elaborar o EIA, a Cargill e a Sectam (Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente) do Pará elaboraram um mero Plano de Controle Ambiental, em desobediência à legislação brasileira.Para o MPF, se tratava de instrumento insuficiente dada a extensão dos impactos e por isso foi ajuizada uma Ação Civil Pública para corrigir as ilegalidades.

O procurador da República Renato Rezende Gomes, responsável pelo caso, descartou o TAC após o parecer da 4ª Câmara e afirma que o porto corre risco de ser fechado em decorrência da disputa judicial, já que, mesmo ainda existindo recursos da Cargill em tramitação, todas as decisões até agora - tanto na primeira instância, a subseção judiciária federal de Santarém, quanto na segunda instância, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília - dão vitória para o MPF.

Fonte: MPF

5/19/2006

O problema da soja para o mundo

O ato do Greenpeace hoje de manhã em Santarém ganhou o mundo. As principais agências já começam a distribuir informações para todos os quatro cantos. Amanhã, o protesto ganha as páginas impressas dos principais jornais do planeta. A Agência Brasil, por exemplo, já está distribuindo seu material.

Vários dos principais jornais nacionais e do mundo estão em Santarém. Amanhã divulgaremos mais informações

Nivaldo Pereira manda recado por seu empregado: estou na briga pelos sojeiros!

No final da carreata pró Cargill ocorrida hoje em Santarém, em português bem vulgar, como lhe é peculiar, o repórter Portela da TV Ponta Negra pegou o microfone para falar que seu patrão mandava um recado: vai utilizar todos os seus veículos de comunicação para fazer campanha contra o Greenpeace.

Isso já não é novidade, pois já faz tempo que os programas da TV Ponta Negra, principalmente o Rota 05, se ocupam de difamar e destorcer informações e atos do Greenpeace e dos movimentos sociais locais, divulgando informações caluniosas, ofensivas, anti-democráticas, e até mesmo criminosas, como zombar de índios que protestam contra a monocultura da soja em nossa região e incitar a xenofobia .

Vale ressaltar que os canais de radiodifusão no Brasil são concessões públicas, portanto, propriedades do povo brasileiro. Agora só resta perguntar e motivar a sociedade civil organizada para acionar o Ministério Público, assim como já aconteceu com a Rede TV Nacional, para que a Ponta Negra e outros canais possam ser responsabilizados por seus atos. Se uma TV Nacional teve que exibir programas dos movimentos sociais por várias vezes e em horário nobre por causa de sua programação preconceituosa, porque uma TV de fundo de quintal não pode.

Não há liberdade de expressão em Santarém

Quem não é a favor dos sojeiros não pode se manifestar em nenhum lugar público, pois pode ser agredido. Pelos menos se estiver com pouca gente ao redor, isso se tornou um perigo na cidade em ambientes públicos, bares, praças. Na noite passada militantes de movimentos sociais conversavam em um bar conhecido na cidade que fica com cadeiras à beira da rua, e foram praticamente atropelados por caminhonetes de jovens sojeiros em alta velocidade.

Jornalistas italianos foram agredidos por sojeiros.

A jornalista E. E. e o fotógrafo E. M. foram às 08:30 da amanhã realizar uma entrevista com o chefe da Cargill em Santarém, Antenor Giovanini. Depois de muitas negociações que envolveram a chefia nacional da empresa e os editores do Jornal em que trabalham na Itália, sobre o que poderiam e não poderiam perguntar e fotografar, os profissionais foram ao encontro de Giovanini e encontraram os ativistas do Greenpeace realizando suas manifestações. Em meio ao tumulto que acabara de começar, os dois foram agredidos verbalmente, e por pouco não fisicamente, por sojeiros presentes no local. O fato não aconteceu porque a polícia federal os levou do local para sua delegacia a fim de evitar mais problemas.

Sojeiros pagam gasolina para motocicletas e carros de populares

Taxistas que ficam normalmente estacionados frente aos postos de gasolina, disseram aproveitar da oferta de combustível grátis para abastecer seus tanques. Um deles disse que os sojeiros deixaram pago em alguns postos próximos, determinada quantidade de combustível a ser liberada para cada carro e moto para participar da carreata Fora Greenpeace. “Eu fui lá e peguei a minha parte, afinal a coisa tá feia, mas na carreata eu não vou!”, disse A.F.

Carreata pró cargill reúne centenas de carros: população está indecisa

Organizado pelos produtores de soja que ocuparam áreas da região Oeste do Pará incentivados pela implantação do Porto da Empresa Norte-americana Gargill em Santarém, realizaram uma carreata na tarde de hoje pelas ruas da cidade, logo após a ação do Greenpeace que tentava impedir o embarque de soja em uma balsa no referido porto.

Composta na maioria por carretas e carros 4 x 4, a carreata era claramente uma tentativa de ampliar o movimento “Fora Greenpeace, a Amazônia é dos Brasileiros” e aumentar a adesão da população local. No entanto, a maioria dos presentes no movimento eram claramente grandes empresários, pessoas de alto poder aquisitivo na cidade. A maioria dos verdadeiros santarenos olhavam o movimento na beira da rua, e aos poucos, levados pela euforia dos gritos Fora Greenpeace, se juntavam ao ato.

O “repórter Celular” da Rádio e TV Tapajós entrevistava os populares com aquela velha técnica jornalística com perguntas fechadas: Você é contra ou a favor? Qualquer coisa que as pessoas respondessem, sim ou não, dava no mesmo sim, a favor, da carreata! Sem nenhuma possibilidade de argumentação, se as pessoas pelo menos tinham noção do que de fato estava acontecendo e quais eram os verdadeiros motivos.

Assistindo em uma lanchonete à reportagem exibida pela TV Tapajós, ouvi duas moças se questionando: “mas quem é que tá certo, não é o greenpeace que defende o meio ambiente?” E a outra menina retrucou: “não, é a Cargill porque tem as plantações!” Claramente demonstra como a população local é desinformada e levada pela imprensa sensacionalista e vendida pra quem tem dinheiro para pagar na vez.

Porém, o movimento é uma reação cada vez mais clara dos sojeiros da região, e a tendência é o clima de tensão e violência aumentar inclusive entre a sociedade local. Pela forma como agiram frente ao ato do greenpeace, com violência, não se espera coisa diferente nos próximos dias.

Os ativistas do Greenpeace que foram presos já estão soltos. O coordenador da Campanha Amazônia da entidade, Paulo Adário disse que o trabalho continua.

Arriscando uma opinião, o objetivo do Greenpeace está sendo alcançado: chamar atenção do público local e internacional para o problema.

Greenpeace bloqueia carregamento de soja da Cargill e é atacado pela empresa e por sojeiros




Na manhã desta sexta-feira, o Greenpeace bloqueou o porto da Cargill, em Santarém, impedindo o descarregamento de soja amazônica por cerca de três horas e meia. A soja, que é exportada para a Europa como alimento animal, é cultivada em áreas desmatadas da floresta Amazônica. Além disso, o porto da Cargill em Santarém foi construído de forma ilegal (1).

VEJA OS VÍDEOS DA AGRESSÃO CONTRA OS ATIVISTAS:Vídeo 1 e Vídeo 2

Cinco alpinistas subiram nas pontes do porto e foram recebidos com uma reação violenta dos empregados do porto e de produtores de soja da região, que jogaram pedras, rojões e jatos de água contra os ativistas. O navio do Greenpeace, que bloqueava o porto, também foi invadido e pichado pelos sojeiros. Quatro pessoas do Greenpeace foram feridas, entre elas uma ativista norte-americana que caiu da ponte enquanto segurava uma faixa com os dizeres “Fora Cargill”, um ativista que foi atirado na água, um fotógrafo alemão que foi atingido por um rojão no peito e um fotógrafo brasileiro que teve um dedo quebrado por um suposto segurança do porto. Após a ação, 16 ativistas do Greenpeace foram detidos pela polícia, inclusive dois jornalistas. Todos foram liberados até o fim da noite. Nenhum sojeiro foi preso.

A violência contra o Greenpeace deve continuar na cidade. No fim da tarde, os sojeiros fizeram uma carreata em frente ao porto de Santarém, chamando, com um carro de som, a população para participar do protesto contra o Greenpeace.Paulo Adário, coordenador da campanha Amazônia do Greenpeace, sofreu ameaça de morte dos sojeiros enquanto era detido pela polícia. Os produtores gritavam que ele não chegaria vivo à delegacia. “Empresas norte-americanas como a Cargill estão devorando a Amazônia para cultivar soja. A carne alimentada com essa soja termina nas prateleiras dos supermercados e restaurantes fast food pela Europa e outros países. Nossos voluntários continuarão a protestar pacificamente para proteger a floresta tropical mais preciosa do mundo que está sendo destruída para alimentar frangos, porcos e vacas”, disse Paulo Adário, coordenador da Campanha da Amazônia do Greenpeace.A soja é agora uma das causas principais do desmatamento da Amazônia brasileira. No total, uma área estimada em 1,2 milhão de hectares do que costumava ser floresta já foi – em sua maioria ilegalmente – destruída para o cultivo de grãos de soja.

Os sojeiros também estão envolvidos em atividades ilegais como apropriação de terra e escravidão. (2)Recentes investigações do Greenpeace reunidas no relatório ‘Comendo a Amazônia’ (3) mostram que o porto da Cargill não é apenas ilegal, como também está sendo responsável por levar soja de desmatamento ilegal para o mercado mundial (4). Eles operam 13 silos no bioma Amazônico – mais que qualquer outra companhia.“Empresas norte-americanas como a Cargill devem parar de ver a Amazônia como um lugar onde expandir seus negócios de soja. Ao invés disso, devem vê-la como uma das maiores florestas tropicais do mundo que precisa urgentemente de proteção”, disse Gavin Edwards, coordenador da campanha de Florestas do Greenpeace Internacional.A Cargill também não faz segredo sobre o fato de ajudar a estabelecer sojeiros na Amazônia, alguns dos quais, envolvidos em outras atividades ilegais, como grilagem e escravidão. A multinacional diz que agora está fazendo esforço para não comprar soja de sojeiros ligados a trabalho escravo, desmatamento ilegal e massivo, mas, em reunião com o Greenpeace neste mês, a empresa se recusou a parar de destruir a Amazônia. Nas últimas semanas, o Greenpeace fez ações na Europa contra importadores de soja que importam da Cargill na Amazônia, incluindo a tentativa de evitar que navios de soja descarregassem em Amsterdã.O Greenpeace exige que a Cargill e a indústria alimentícia européia garanta que a alimentação animal que eles compram não contribua para a destruição da Amazônia e que nenhum dos produtos da soja deles seja geneticamente modificado.

NOTAS:(1) Em fevereiro de 2006, o segundo mais alto tribunal do Brasil decidiu contra a Cargill, determinando que a empresa deve consentir com a legislação brasileira e fazer uma avaliação de impactos ambientais não apenas para o porto mas também para impactos nas regiões vizinhas. A Cargill continua a lutar contra essa determinação.(2) A Cargill é a maior empresa privada dos EUA, com receita de quase US$ 63 bilhões em 2003. É, sem dúvida, a maior no comércio global de grãos e sistema alimentício, compra, transporte, processamento de grãos, esmagamento, refinaria e distribuição pelo mundo.(3) Uma cópia em inglês do relatório “Comendo a Amazônia”, que documenta os problemas da soja na Amazônia está disponível em: http://www.greenpeace.org.br/amazonia/pdf/amazonsoya.pdf O sumário executivo em português pode ser lido em: http://www.greenpeace.org.br/amazonia/comendoamz_sumexec.pdfUm resumo em inglês sobre a Cargill está em:http://www.greenpeace.org.br/amazonia/pdf/cargill.pdf(4) Em um dos inúmeros casos do relatório, a soja enviada para o terminal tem origem na fazenda Lavras, que está em terras ilegais e parte delas foi desmatada para o cultivo de soja. O Greenpeace tem uma cópia do contrato entre a Cargill e os proprietários das fazendas, os irmãos Cortezia.

http://www.greenpeace.org.br/vivaamazonia/noticias.php?conteudo_id=2768

5/18/2006

Imagens da destruição

5/17/2006

Sojeiros tem preconceitos com a população local




As imagens captadas por Celivaldo Carneiro não negam...

A maioria dos produtores de soja que estão em Santarém, Belterra e regiões do entorno, são agricultores vindos do mato grosso, rio grande do sul, entre outros estados, onde a soja já deixou os estragos. São pessoas que vêem a floresta como inimiga e a paisagem bonita é o terreno limpo e seco. Nossa gente, nossa população tradicional sempre soube conviver em harmonia com a natureza, tirando dela seu sustento sem prejudicá-la. São diferenças.

Mas o que estamos vendo acontecer, com cenas de violência praticadas pelos sojeiros contra a população local, não é apenas a demonstração de visões e culturas diferentes. É a clara expressão de preconceito e de um entendimento que o que é bom vem de fora.

Em recente acontecimento, quando sojeiros presentes na Orla da cidade atacaram jornalistas e fotógrafos locais que registravam uma manifestação do Greenpeace, a verdadeira face dos que chegam com a conversa mansa de ajudar a desenvolver a região, veio à tona. A violência até o momento vista somente no campo, com a expulsão de trabalhadores rurais de suas terras, casas de moradores sendo queimadas, ameaças de morte, agora pode ser notada também nesses confrontos na cidade. O jornalista Celivaldo Carneiro, do Jornal Gazeta de Santarém, foi agredido verbalmente pelo sojeiro Gregório Masqueto com dizeres como: “vocês são um bando de índios, nós que estamos vindo aqui trazer desenvolvimento pra vocês, vocês são índios, burros e preguiçosos, vocês são incompetentes, por isso que nós estamos brigando, por isso que nós não queremos vocês aqui, vocês são todos burros”

Nos chamar de índios não significa uma ofensa, mas as outras coisas sim. E esse preconceito se revela não apenas em momentos como esses, mas não relações sociais em geral. Como estão trabalhando e quanto estão ganhando os poucos empregados nas plantações de soja ou nas lojas de insumos agrícolas, maquinários? Podemos comprovar que a maioria tem sub-empregos, são lambaios dos sojeiros.

Que desenvolvimento é esse? Que gente é essa?

Violência por nada


Era noite de lua cheia. Nós éramos cinco, nos dois botes infláveis. Saímos do Arctic Sunrise bem no comecinho da noite, com o objetivo de projetar algumas imagens e mensagens que explicitassem para a população de Santarém (localizada no oeste do Pará) como a monocultura da soja, ao causar a destruição da floresta Amazônica, é prejudicial para a região. Sobre imagens de desmatamento e queimadas, os recados eram bastante claros: "Sem floresta, não há futuro", "Soja não traz progresso", "100% Crime" e "Cargill causa destruição". Já as frases, "Porto americano ilegal" e "Fora Cargill!!" foram sobrepostas à fotos do porto construído pela Cargill em 2003. Aqui, algumas explicações são necessárias.
Muita gente não sabe que a Cargill é uma poderosa multinacional dos Estados Unidos que atua nos mercados agrícola e de alimentos, em todo o mundo. De acordo com eles mesmos, além de financiar produtores, "a Cargill compra, vende, transporta, mistura, esmaga, processa, refina, tempera, distribui e entrega, aos consumidores de todo o planeta, o tempo todo". Considerada a maior companhia de capital privado do mundo, a Cargill ignorou a legislação brasileira ao construir, em Santarém, um porto graneleiro para exportar a soja produzida no Brasil para outros países, sendo que a Europa é o principal importador desse produto. O Ministério Público Federal avalia que este porto é ilegal, já que a companhia não apresentou o Estudo de Impacto Ambiental (EIA/Rima), procedimento considerado fundamental pelas leis do Brasil para obras deste porte. Afinal, parece bastante óbvio que para as comunidades locais é vital que análises técnicas sejam feitas sobre as possíveis conseqüências e impactos sociais e ambientais que uma construção dessas em plena floresta Amazônica certamente trará. No entanto, para a Cargill esses procedimentos parecem nada mais que uma grande bobagem.
Ainda, antes de descrever os acontecimentos desta noite "quente" de sábado, dia 13, acho importante contextualizar um pouco a atividade. No mês passado, o Greenpeace lançou o relatório "Comendo a Amazônia", em que, após anos de investigação, evidencia toda a cadeia de custódia da soja e como a expansão de sua monocultura vem contribuindo para a destruição da floresta Amazônica. Em outras palavras, algumas propriedades foram pesquisadas desde a condição da terra antes do cultivo da soja, para saber se ela foi grilada, por quem, quando, quanto foi desmatado, se houve invasão de terras indígenas, quem financiou a produção, quanto de soja foi plantado, quando, por quem, para qual porto essa soja foi transportada, qual o destino dela, onde e em que produtos foi processada, e quem são os consumidores finais da soja produzida na Amazônia.
Com este mapeamento inicial, foi possível estabelecer a relação entre multinacionais (além da Cargill, Bunge e ADM) e o grupo brasileiro Amaggi com o desmatamento, a grilagem de terras, violência e o trabalho escravo na Amazônia, dentre outros impactos da indústria da soja na região, que ainda constrói silos e infra-estrutura no coração da floresta e financia a abertura de estradas.
Desde 2004, o Greenpeace vem trabalhando com outras organizações ambientais e movimentos sociais da região de Santarém para dar visibilidade à destruição da floresta causada pelos grandes financiadores da soja e tentar reverter essa realidade. Por outro lado, setores diretamente interessados no lucro fácil obtido com a devastação da floresta e com a utilização de terras griladas para o cultivo de soja, iniciaram uma campanha contra o Greenpeace. Centrados na velha e falsa dicotomia: defesa do meio ambiente versus desenvolvimento, produtores de soja e defensores do agronegócio vêm utilizando a mídia local, dentre outros recursos, para convencer a população de que o Greenpeace pretende engessar a economia da região. A chegada do navio Arctic Sunrise, na última quinta-feira, 10, aumentou o clima de tensão na cidade.
Dito isso, voltemos aos nossos botes infláveis (tão conhecidos no mundo todo pelas corajosas ações prestadas à defesa da biodiversidade, suas baleias, etc), dessa vez atuando em pleno rio Amazonas.
E a noite esquenta mais ainda - Apesar de problemas como o fato da correnteza estar bastante forte (lua cheia mostrando sua força), dificultando o posicionamento ideal do projetor e o sincronismo entre os botes e o barco regional, ancoramos ali mesmo. Há cerca de 15 metros da orla da cidade, ponto de encontro dos moradores, especialmente nos fins de semana. E há cerca de 25 metros do barco regional, que já tinha pendurado um imenso pano branco que seria usado como nossa tela.
Após três ou quatro minutos daquele "cinema fluvial de protesto", um homem de chapéu, aparentando pouco menos de 30 anos, visivelmente insatisfeito, começou a gritar para nós. Não conseguíamos ouvir uma única palavra, mas era impossível não entender o que ele estava dizendo. Seu corpo não deixava dúvidas sobre o conteúdo de seus gritos. Enquanto a maioria dos presentes assistia passivamente, um outro homem, mais alto que a média dos nativos, se juntou a ele nos gritos ofensivos.
Colocando nossos capacetes, continuamos ali, exibindo as mensagens de que o verdadeiro desenvolvimento para Santarém passa, necessariamente, pela floresta em pé. De repente, um "simpatizante" do agronegócio apontou algo que eu não consegui identificar em nossa direção. A primeira coisa que passou pela minha cabeça era que se tratava de uma espingarda e que ele mirava o motor do bote. Gritei para alertar a equipe de que algo vinha daquela direção. A atitude dos mais experientes me acalmou de imediato.
Com o acender do fósforo, pudemos ver que o que estava sendo direcionado diretamente a nós, e também à tela, eram "somente" rojões. Durante alguns poucos minutos, permanecemos lá, nos esquivando como podíamos e utilizando dois assentos de cadeiras como escudos. Agora, eles já eram quatro ou cinco tentando nos atingir com os fogos de artifício que faziam um terrível barulho mesmo quando estouravam na água. Uma das integrantes da equipe foi atingida no calcanhar por um dos pedaços do rojão ainda em chamas. Outro foi atingido na perna. A intensidade do ataque, fez com que, por questões de segurança, nós deixássemos o local, rapidamente.
Impressionados com a agressiva reação a uma manifestação tão pacífica, ainda antes de voltar para a nossa base, o Arctic Sunrise, fomos informados de reações violentas também com pessoas na terra e de que o fotógrafo local da Gazeta de Santarém havia sido esmurrado, jogado ao chão e chutado.
Enquanto ouvia pelo rádio, simultaneamente, a noite clara permitia ler a faixa colocada no lado oposto da tela, no barco regional, o artigo 225 da Constituição Brasileira que diz: "Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações".

Que ironia!!

***
Demorei a pegar no sono... Eram várias as inquietações. Basicamente, não consigo entender por que nós, seres humanos, em pleno século 21, ainda nos comportamos como seres irracionais, que colocam a ganância e o egoísmo acima de qualquer coisa, de qualquer outro valor. Usamos até mesmo de violência para garantir que ninguém coloque em risco o "nosso" patrimônio. Em nome "deste patrimônio", da "propriedade", pode se até matar. Independente desta propriedade ter sido grilada, roubada, etc. Pode ser que ali se explore o trabalho de escravos, que se destrua a maior floresta do planeta e suas milhares de espécies, que se contamine a água utilizada por milhares de pessoas. Pode ser que comunidades tradicionais tenham sido expulsas violentamente dessas terras. Nada disso importa. O que importa aqui é que o "patrimônio", muitas vezes ilegal e ilegítimo, de alguns tem que ser respeitado e defendido, nem que seja pela força da bala. Me preocupa o quanto a humanidade se afastou da natureza, sempre tão generosa...
Deitada em minha cabine, me perguntava quando o Estado iria começar a atuar de verdade na região, a interferir, a praticar a justiça. E, ainda, será que um dia o Brasil irá olhar para esta região, para esta realidade, para estas pessoas que ainda preservam fortes vínculos com a floresta, para estas comunidades que resistem à opressão dos que vêm de outras regiões do País? Será que um dia teremos orgulho de sermos brasileiros não só porque somos os melhores do mundo no futebol, porque temos o samba e a alegria reconhecidos internacionalmente como símbolos nacionais, ou pela beleza das mulheres, mas sim porque conseguimos superar crenças, comportamentos e valores provincianos e mesquinhos da época colonial, orgulho por morarmos em um País mais justo socialmente, mais equilibrado ambientalmente e menos violento?

Patrícia Bonilha é assessora de imprensa do Greenpeace a bordo do navio Arctic Sunrise

Fazendo Diferença na Imprensa Santarena


Confira também no Blog do Jeso Carneiro informações sobre o caso soja em Santarém, que traz notícias de um dos poucos jornais decentes da cidade, a Gazeta de Santarém. Leia sobre o caso de violência praticado pelos sojeiros contra o diretor do Jornal, Celivaldo Carneiro além de outros profissionais. (Em alguns casos estamos tomando a liberdade de publicar informações divuladas nesse Blog)

http://www.jesocarneiro.blogspot.com/

Editorial publicado na edição de hoje da GAZETA:Ganha forma e começa a mostrar os dentes aqui entre nós um preconceito similar ao que viceja em Manaus contra os paraenses: o de sojicultores em relação aos moradores da região. No sábado, o editor-proprietário da GAZETA, Celivaldo Carneiro, sofreu na pele essa forma odiosa, reprovável e abjeta de intolerância.Ele e pelo menos dois outros profissionais da imprensa, que acompanhavam a manifestação do Greenpeace na orla fluvial, sofreram agressão verbal de vários plantadores de soja, a maioria nascido no centro-sul do país. Foram tachados pela turba ensandecida de “preguiçosos”, “índios”, entre outros impropérios, pelo fato de estar ali fazendo a cobertura jornalística do fato.“Nós viemos pra cá trazer o desenvolvimento pra vocês, seus índios preguiçosos, que não gostam de trabalhar” gritaram os agressores. Contra o fotógrafo Carlos Matos, foram mais além: agrediram-no, danificando sua máquina fotográfica.Por que a ação violenta, covarde e criminosa? Simplesmente porque os jornalistas estavam ali, testemunhando a selvageria protagonizada por eles contra uma manifestação pacífica. Criadores do movimento “Fora Greenpeace”, não tardará muito, se nada for feito para contê-los, para iniciarem o “Fora santarenos”.

Nivaldo Pereira, dono da TV Ponta Negra, invade porto das Docas para insultar ativistas do Greenpeace

O Navio do Greenpeace que está ancorado no Porto da Cia Docas do Pará, depois de muitas dificuldades criadas pelo administrador local do porto, Celso Lima, está provocando reações no mínimo violentas de empresários locais e sojeiros.

Na noite do último domingo, dia 14, quando os ativistas planejavam projetar frases de efeito no telhado do prédio da Cargill, que está a alguns metros de onde o navio está ancorado, populares observaram a presença de vários sojeiros entrando com suas caminhonetes dentro da área de segurança do porto, gritando e insultando tanto os ativistas do Greenpeace quanto simpatizantes dos movimento sociais. Entre os sojeiros observava-se o empresário Nivaldo Pereira, dono da TV Ponta Negra.

Com essa atitude não é difícil saber porque a TV de sua propriedade vem fazendo campanhas sistemáticas contras as ONGs e movimentos populares locais que são contra a destruição ambiental produzida pela monocultura da soja.

Outra observação importante é porque os sojeiros conseguiram entrar com suas caminhonetes na área se segurança do porto, enquanto que os representantes dos movimentos sociais são a todo tempo barrados de entrar para visitar o navio do Greenpeace.

5/16/2006

Porque a imprensa Santarena não critica a ONG americana TNC?

A imprensa santarena vai vivenciar neste fim de semana a realização do Troféu Imprensa 2006. Fico me perguntando quais serão os candidatos indicados pela comissão organizadora para que a população vote, e quais opções o povo vai ter para escolher. Será o J Sena, o Coruja, ou o berrante do Antônio Jr?

Sinceramente, se fizermos uma pesquisa nos veículos de comunicação local, a maioria não tem formação em comunicação social e jornalismo. Mas isso de início não seria um problema. O problema é que a maioria dos profissionais da área (logicamente não são todos, apesar de tudo temos bons profissionais que dignificam a categoria) não tem nenhuma preocupação com a ética no jornalismo, com o princípio básico de ouvir os dois lados com os mesmos critérios de espaço e tempo de fala. O que é veiculado, como sempre foi, são os interesses dos proprietários dos meios de comunicação, a maioria ligados aos setores que buscam o lucro fácil a qualquer custo.

Basta analisar a forma como são as matérias que tratam das ONGs. Quando o interesse é difamar, criticar, porque elas estão denunciando crimes ambientais na região, elas são tratadas como estrangeiras que querem “internacionalizar a Amazônia”, mesmo que sejam locais, com membros da sociedade local que tem opiniões e posturas diferentes do que seria um desenvolvimento justo para beneficiar a população local. Porém, se aparece uma ONG de fato americana, se aliando a Cargill para limpar a imagem da empresa com o discurso que só vai comprar soja de produtores que estejam respeitando a legislação ambiental, ela aparece com a boazinha da praça, que ONG legal, que americanos legais!

Pelo jeito que as coisas andam, o troféu imprensa 2006 deveria se chamar troféu EMPRENSA.

Maria, prefeita de Santarém em cima do muro


Em meio aos debates provocados pelas manifestações de ONGs e movimentos sociais da região Oeste do Pará contra a monocultura da soja na região, que vem sendo fortalecidos pela campanha do Greenpeace, pode-se perceber mais claramente as posturas e práticas tomadas pelas lideranças políticas dos municípios.

No caso da Prefeita de Santarém, Maria do Carmo, não tem sido difícil notar sua situação no mínimo desconfortável frente a essas discussões. Inúmeras situações parecem refletir que a prefeitura está de certa forma presa à política implementada em administrações anteriores, como a do prefeito Lira Maria, que fez de tudo para facilitar a implantação do Porto da Cargill em Santarém. A prefeita sabe que a economia da soja em Santarém aumentou o PIB do município e que também gerou prejuízos sociais e ambientais que custarão mais caros a médio e longo prazo, mas mesmo assim no meio dos empresários da soja, defende a soja.

Defende não apenas em discursos, mas em atitudes demonstrando sua posição e dos seus grupos aliados. A proibição de uma exposição fotográfica do Greenpeace que iria acontecer no Mercadão 2000 mostrando imagens da destruição causada pelas plantações de soja, as dificuldades criadas pelo administrador do Porto da Cia Docas do Pará, seu marido Celso Lima, para a atracação do navio da mesma ONG, e a assinatura apoiando o tal acordo de conduta da Cargill com a ONG americana TNC.

Por outro lado, quando se vê frente aos movimentos sociais que apoiaram sua eleição e que viam a prefeita como aliada, Maria tem outro discurso, como aconteceu durante um seminário realizado neste mês na Ulbra sobre produção faimiliar, quando afirmou: “Entendemos que através da agricultura familiar e de outras iniciativas sustentáveis é que podemos evitar o que está acontecendo nas regiões que pautaram sua economia só na soja. Como hoje a soja está vivenciando problemas difícil, que é dólar baixo, insumos caríssimos, juros altos, e agora estão jogando a soja fora, tentando obstruir as estradas para protestar. Isso é um exemplo vivo que a economia de uma região não pode se pautar num único modelo econômico, como a soja”.


O que está acontecendo com a Maria do Carmo?

Conheçam a ONG que pretende facilitar as coisas para a CARGIL

Como conservar a soja
Manoel Franscisco Brito

The Nature Conservancy (TNC) é uma Ong internacional riquíssima para os padrõesde qualquer Ong. Só nos Estados Unidos, sua política de comprar terras para preservar paisagens já cobre mais de 6 milhões de hectares. Tem a meta de, até 2015, garantir o futuro de pelo menos 10% dos 30 sistemas naturais mais importantes que identificou ao redor do planeta. Sua dotação chega aos 2 bilhões de dólares. Na página que mantém na Internet, afirma que sua missão é "proteger plantas, animais e os ecossistemas naturais que representam a diversidade de vida no planeta, conservando as terras e águas de que precisam para sobreviver".

Tomada ao pé da letra, a frase poderia muito bem induzir seu leitor a imaginar que parte fundamental do trabalho da TNC na Amazônia brasileira envolve o combate à expansão dasplantações de soja sobre a floresta. Longe disso. Desde que o grão esteja sendo plantado dentro das regras que regulam a relação entre fazendeiros e natureza, a TNC acha que não há nada de errado com a presença crescente da soja na região Norte do país.
"Nosso objetivo é engrossar o número de produtores de soja que respeitam as leis ambientais", diz Ana Paula Barros, representante nacional da TNC. É com base neleque a TNC tenta intermediar um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) entre sojicultorescom passivo ambiental no município de Santarém, no Pará, às margens do rioTapajós, e órgãos federais. Já cadastrou e está levantando as irregularidades ambientais de 130 plantadores do grão na região que vendem sua produção para a multinacional Cargill. O custo do projeto, segundo Barros, é de um milhão de dólares.

Um quarto dessa conta foi assumida pela própria Cargill. O resto está sendo coberto por repasses feitos pela embaixada da Inglaterra em Brasília. Todos os produtores cadastrados pela Ong atropelaram a lei sobre a manutenção de reservas legais em suas propriedades - que na Amazônia significa conservar a floresta em 80% do terreno - e ao desmatamento deáreas de preservação permanente (APPs), como matas em margens de rio e próximas à nascentes. Pelo levantamento feito até agora, o passivo é grande. Em relação à falta de reservas legais, o déficit desses produtores, pelo levantamento inicial, bate em 1500 hectares.
No que diz respeito às APPs, desmataram em torno de 530 hectares de floresta e nesse caso, segundo Barros, não há escapatória. "Terão que reflorestar", diz. Mas a TNC está tentando saídas mais criativas na questão das reservas legais.
Vaga ameaça
Nenhuma, por enquanto, envolve a exigência do reflorestamento das propriedades. "A idéia é buscar opções que a lei dá", diz Barros. Uma delas é achar área de floresta na Bacia doTapajós e constituir um fundo para comprá-la e mantê-la de pé para compensar a falta de matas nas propriedades. Mas também se discutem alternativas que, pelo menos na sua letra, nem a lei e tampouco as regulamentações dão. Como por exemplo, criar outro fundo para regularizar problemas fundiários em unidades de conservação na região. A TNC também anda ventilando em reuniões com outras Ongs e governos a idéia de implementar mecanismo pelo qual a falta de reserva legal possa ser compensada com contribuições a fundos de manutenção de Parques e Estações Ecológicas na Amazônia como o ÁreasProtegidas da Amazônia (ARPA).

Essa última proposta encontra muita resistência, porque ela libera o fazendeiro de manter parte da mata em suas terras e lhe dá um crédito por manter árvores em terras públicas, onde elas já estão de pé. É uma aritmética cujo resultado líquido é diminuir o tamanho da floresta. Seja lá o caminho escolhido, ele tem um custo e ainda não está claro quem é que vai pagar por isso. "A Cargill se dispõe a fazer uma contribuição", diz Margareth Francis, do escritório da TNC em Belém. "A Cargill está longe de discutir isso. Em princípio, ela não porá dinheiro algum", corrige Barros. "Quem sabe, talvez no futuro". Resta saber portanto que incentivo esses 130 produtores, que apesar da situação ilegal continuam plantando e vendendo soja para a empresa, enfrentando apenas o dissabor de multas doIbama que raramente são pagas, ternao para colocarem a mão no bolso e corrigir sua situação.Há uma ameaça da Cargill de parar de comprar soja produzida fora dos padrões da regulação. Mas ela é vaga. Não foi oficializada e muito menos tem prazo para entrarem vigor. "Olha, 99% da soja que cresce no Brasil é irregular", diz Barros, insinuandoque a empresa não tem muita opção agora a não ser fazer parte da ilegalidade geral.
Agora, mesmo que houvesse dinheiro para levar esse TAC adiante, ou que a empresa batesse com o pau na mesa e parasse de comprar soja com passivo ambiental, dificilmente o documento seria costurado rapidamente. Além dos fazendeiros, o TAC teria que ter a ratificação de órgãos públicos como o Ibama, o Incra e o Ministério Público Federal. E as propostas que que a TNC tem levado a eles para viabilizar o documento "demandam muitas inflexões legais", como explica da maneira mais delicada possível o Procurador da República em Santarém, Felipe Fritz Braga.
Outro passivo ambiental"Do Ibama, pede-se anistia a 100% das multas. O Incra, para participar, teria que editar uma nova norma, pois a que o órgão tem em vigor permite que ele seja interveniente em TACs que dizem respeito a propriedades de até 100 hectares, o que não é o caso", diz o Procurador. "Esse é um produto que essa empresa, a TNC, está tentando construir, mas por tudo isso, se ele sair, ainda demora".
Mas a TNC não é uma empresa, Procurador. É uma Ong.Foi ato falho?
Não, eu sei que ela é uma Ong. Mas age como uma empresa tentando vender esses TACs como produtos aqui na Amazônia. Outras Ongs do mesmo porte fazem isso. A concorrência é acirrada. O TAC intermediado pela TNC também envolve um comprometimento definitivo da Cargill de não comprar soja produzida a partir de passivos ambientais, o que não é mau, embora pela lei ela não precisasse de um novo papel para tomar esta atitude. "Existem lacunas na fiscalização", diz Braga. "Não há controle sobre a empresa. Aliás, não há controle sobre nenhum grande comprador de soja no Brasil". E enquanto isso, a soja segue comendo a floresta amazônica.

Na área de Santarém, a partir de 2003, o grão ultrapassou a pecuária como principal agente do desmatamento, conta o Procurador. Foi nesse exato ano que a Cargill inaugurou seu porto na cidade, na margem do Tapajós. E a obra, assim como a soja que ela ajuda a escoar para os meercados importadores, foi também feita ao arrepio da legislação ambiental.
O porto começou a ser construído em 2000. "Na marra, sem o Estudo de Impacto Ambiental (EIA)", conta o Padre Edilberto Sena, da Diocese de Santarém. "Ele foierigido à força de liminares na Justiça". E como sempre acontece nesses casos contou, lembra Sena, com uma ajudinha da presidência da República, que em 2004 publicou decreto transformando toda a frente da cidade debruçada sobre o Tapajós em área de porto. Ainda assim, a história está longe de um fim. Ainda se discute outro Termo de Ajuste de Conduta (TAC) em relação às docas da Cargill, fruto de processos abertos contra a empresa por Ongs ambientalistas e ligadas aos movimentos sociais da região. Essa novela ainda estálonge do fim e apesar da boataria de que a TNC está trabalhando para intermediar um acordo entre as partes, Barros, a representante da Ong, garante que ela não tem nada a ver com a história do porto. Só com a legalizaçnao da soja ilegal.

Duas Ongs, duas visões

Manoel Francisco Brito, 14.05.2006
www.oeco.com.br

Noite de sexta-feira em Santarém. Com Paulo Adário, coordenador da Campanha Amazônia, e Gavin Edwards, Coordenador da Campanha Global de Florestas à frente, um grupo de ativistas do Greenpeace, que há dois meses agem na cidade para denunciar os desmatamentos provocado pela entrada da soja na região, chegam ao restaurante Piracatu, um dos melhores da cidade, para jantar. Decidem subir para o salão superior, onde funcionava um potente ar-condicionado. Lá, esbarram em Ana Cristina Barros, da Ong The Nature Conservancy (TNC), que desde agosto do ano passado tenta intermediar um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) para enquadrar os sojicultores locais na legislação ambiental.

Com ela, jantavam o maior deles, Pio Stefanello, que detém posse sobre 2 mil e 400 hectares de terra, e mais Miguel Oliveira, dono do jornal O Estado do Tapajós, e um diretor da Cargill, a multinacional que em 2002 construiu no município, sem o devido estudo de impacto ambiental, um terminal portuário para o escoamento de grãos. Estavam ali para prosseguir nas discussões sobre o futuro da produção da soja na região e celebrar dois eventos ocorridos horas antes e que, na sua visão, eram para lá de importantes.

Um, a assinatura de um contrato entre a TNC, o Sindicato dos Produtores Rurais e 106 fazendeiros da região com vistas à regularização de seu passivo ambiental. Não era o TAC tão sonhado, mas à falta dele, foi alguma coisa. No mínimo a primeira admissão pública dos plantadores de soja da região de que estão fazendo coisa errada. O outro motivo de celebração foi a divulgação de uma carta da Cargill à prefeita de Santarém, Maria do Carmo (PT), informando que a partir do segundo semestre deste ano, limitará suas compras de soja aos "fornecedores que possuírem comprovação de licenciamento ambiental para suas atividades rurais".

Pelo acordo firmado entre a TNC e os sojicultores, o selo de correção ambiental será dado pela Ong, que assumiu o encargo de vigiar suas atividades. Passados décimos de segundo do susto provocado pelo inesperado encontro no restaurante, Adário tomou a iniciativa de quebrar o gelo. Dirigiu-se à mesa e cumprimentou os convivas. Demorou-se um pouco trocando sussurros ao pé do ouvido com Barros, a quem admira muito como pessoa. Ouviu dela uma espécie de agradecimento pela pressão que o Greenpeace vem exercendo sobre os sojicultores.

Saco de gatos

Desde que meteu-se nessa empreitada, era a primeira vez que tinha algo de concreto na mão para comemorar e atribuiu isso à recente ação do Greenpeace na região. Justiça seja feita, a tarefa a que ela se propôs nunca foi vista como fácil de ser executada. Para início de conversa, Barros tinha que costurar um acordo envolvendo sete partes, cada uma delas, por razões próprias, relutante em participar dele. Além dos sojicultores, gente que de 1999 a 2005 comprou posses, grilou terras e desmatou mais de 80 mil hectares de floresta sem prestar a menor atenção às demandas da legislação, o acordo tinha que envolver a Cargill, o Sindicato dos Produtores Rurais, Ministério Público, Ibama, Incra e a própria TNC, cada um com demandas muitas vezes difíceis de serem aceitas pelo outros.

Os fazendeiros, tão logo ouviram falar do assunto, exigiram perdão das multas e autos de infração lavrados pelos órgãos federais. A Cargill se recusava a publicamente dizer que não compraria mais soja produzida ao arrepio da lei. E o MP torcia, e ainda torce, o nariz para a possibilidade de participar de um instrumento legal que envolvesse alguma espécie de perdão para infratores. No meio dessa confusão, o aparecimento do Greenpeace no pedaço, para a TNC, serviu como uma dádiva. Não fosse sua gritaria, dificilmente a Cargill teria enviado a carta pública à prefeita.

E nem mortos os sojicultores teriam colocado suas assinaturas no contrato com a TNC. Sem o envolvimento direto dos órgãos públicos federais, do ponto de vista prático, talvez ele nem signifique muito coisa. Mas do ponto de vista político, pelo menos do lado de Barros e sua Ong, a admissão pública pelos produtores rurais de seu passivo ambiental e fundiário poderia ser considerada uma vitória, que ela agora, polidamente, tentava dividir com o Greenpeace. Na saída do restaurante, foi a vez de Barros devolver as mesuras de Adário.

Legalista

Aproximou-se da mesa onde ele terminava o jantar com sua turma, despediu-se de todos e convidou-o para tomar um café da manhã no dia seguinte em seu hotel. Adário aceitou. Na manhã de sábado, como de hábito, atrasou-se para o encontro. Cerca de 20 minutos. Levou com ele seu braço direito na Campanha Amazônia do Greenpeace, o engenheiro florestal Marcelo Marquesini. À mesa, ouviram de Barros novamente que ela considerava importante dividir esta sua vitória, ainda que parcial, com o Greenpeace. Reconheceu que as estratégias das duas Ongs eram muito diferentes.

Mas insistiu que como o Greenpeace está defendendo a moratória no plantio de grãos nos ecossistemas da floresta úmida da região Norte do país, os objetivos das duas Ongs separavam-se por apenas 20%, área de uma fazenda na Amazônia que o Código Florestal permite que seja cultivada. Seu raciocínio era que, desde que os outros 80% fiquem com a floresta, havia espaço para elas se entenderem. Deu também um alerta aos representantes do Greenpeace. Disse que as outras escoadoras de soja no país estavam rindo à toa com o cerco que faziam à Cargill e que a Bunge e a Maggi, controlada pelo governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, planejavam construir um terminal portuário para grãos no Amapá. Adário respondeu que discordava e recusou dividir a vitória que Barros lhe oferecia.

Trocando em miúdos, dá para dizer que a TNC tem uma estratégia formalista, estritamente baseada no que diz o Código Florestal em relação à obrigação de áreas rurais produtivas instaladas na Amazônia manterem uma reserva legal em 80% de sua extensão, coisa que nenhum sojicultor da região de Santarém jamais respeitou. O projeto da Ong, que na opinião de Barros visa fortalecer o cumprimento da legislação, envolve buscar uma área fora de Santarém para ser oferecida como reserva legal. O tamanho dela não está definido, até porque nem todos os sojicultores metidos no problema, cujo número é estimado em 500, aderiram ao acordo. Portanto, ainda é difícil estimar a área total que serviria como compensação, que teria que ser, justamente por estar fora da região desmatada, na base de cinco hectares de floresta por cada hectare que foi desmatado. Mas a TNC trabalha com uma ordem de grandeza entre 50 mil e 100 mil hectares. Além desta indefinição, ainda não está claro, nem mesmo para Barros, se essa reserva seria erigida em terra pública ou privada e quem seria o responsável pelo seu manejo e administração. A Ong preferiria que não fosse o poder público, não só por causa de sua notória fragilidade, mas porque acredita que uma entidade privada teria melhor acesso a financiamentos para mantê-la de pé.

Conservação sustentável

O Greenpeace e Adário acham tudo isso errado. Eles propõem uma Amazônia livre da monocultura de grãos. À boca pequena, admitem até discutir algum destino diferente para os 17% da floresta onde se concentra boa parte da pressão humana sobre ela e que já estão completamente degradados. Mas para o resto, demandam uma mistura de unidades de conservação com projetos de exploração econômica certificados e de desenvolvimento sustentável. Adário acredita que a estratégia da TNC é cheia de riscos e propostas absurdas. Nem todos os plantadores de grão da região, que a Ong estima serem cerca de 500, assinaram o tal contrato. Ninguém tem ainda muito claro como ficará sua situação.

O próprio legalismo da proposta da TNC não explica muito onde é que se encaixa nela sua visão de conservação da região. Caso o Congresso decida reduzir o percentual de reserva legal na Amazônia, a TNC o aceitaria porque virou lei? Adário também se preocupa com a possibilidade de se erigir uma área de compensação ambiental para os sojicultores em terras públicas. Acredita que é imoral usar coisa que pertence a todos os brasileiros para pagar por ilegalidades cometidas por entes privados. Finalmente, acha que as discussões da TNC com a Cargill e os plantadores de soja embutem o risco - ainda que difícil de acontecer - de os sojicultores da área de Santarém utilizarem a sua adequação.

Barros confidenciou a uma pessoa que foi levá-la ao aeroporto na manhã de sábado, de onde pegaria um vôo rumo à Manaus e daí Brasília, que reconhecia o risco e que essa situação representou um dilema dentro da própria TNC antes de ela se envolver na questão da soja em Santarém. Mas usou uma metáfora para tentar explicar ao seu interlocutor como, dentro da sua Ong, ficaram em relativa paz com a questão. Pediu ao seu interlocutor que imaginasse um motorista que usa cinto, nunca se envolveu em acidentes e jamais avançou um sinal. O problema é que ele não tem habilitação. O que você faz? Lhe nega a carteira? Ao que seu interlocutor respondeu dizendo que o problema é que o motorista em questão, avançou sinais, não usava cinto e sempre ignorou as leis de trânsito.


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